Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

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  Janethe , postou no seu blog, o “PALAVREANDO” , um artigo de  Luís Costa Pereira Júnior cuja componente principal é a defesa das características própria das língua e o aperfeiçoamento e rigor do seu uso. Sem criticar o autor ou o artigo, pois não tenho categoria para isso queria aqui deixar algumas opiniões, dignas de pôr em pé os eruditos cabelos de muitos senhores. Ai vamos....

    A língua ou linguagem escrita ou falada serve apenas um propósito : facilitar a comunicação entre seres da mesma espécie, ( geralmente, claro). Portanto a língua é um meio e não um fim em si mesma e, assim sendo, o será também a fala, a escrita e a leitura, etc.

   Claro que a língua, sob as suas diferentes formas de expressão funciona apenas se conseguir transmitir a mensagem, simples ou complexa que queremos enviar a outrem. Para isso criaram-se certas regras a serem obedecidas o que, obviamente, foi útil e meritório. Todavia, se alguém, por seu mérito ,( e nosso....kkk), nos  consegue transmitir numa linguagem pouco canónica uma informação / mensagem clara, não há razão para “sovar verbalmente o coitado” só porque o  complemento indirecto não está no sítio certo ou algo assim. Há, neste país, muita gente cuja principal ocupação é anotar erros ortográficos e gramaticais dos meios de comunicação social......(pessoalmente acho que há divertimentos bem melhores).

   Para amenizar esta seca desta conversa vou contar um caso verídico passado comigo:

 __ Aqui há alguns anos atrás, dava eu a disciplina de Química Industrial em cursos superiores de engenharia. Uma vez, na primeira frequência da disciplina, apareceu-me um teste de um aluno que eu não conseguia ler....Para terem uma ideia as respostas eram deste género “ A prinçipal curruzão que agente temos no metal é a curruzão electróchimica, cuando as condicões são úmidas.....” . Quando comecei a ler isto atirei os papeis pelo ar e perguntei a mim próprio como era possível uma coisa destas acontecer....Aquilo era um curso superior....para frequentar aquele curso o aluno precisava de aprovação de todo o secundário completo, certificada pelo ministério da educação, mas, segundo o senso geral, poderia ser qualificado como analfabeto ?!?!?! Pensei no assunto e decidi que me competia apenas avaliar os conhecimentos de química do aluno face ás aulas que eu tinha dado. Tomada esta decisão, “traduzi” o mais completamente possível tudo o que o aluno havia escrito para outro papel, de modo a poder depois ler. Após a leitura dessa versão corrigida de erros ortográficos, e avaliando apenas a parte da química, como me competia, conclui que o aluno deveria ter uma classificação de 13 valores ( a escala de classificação aqui varia de 0 a 20 e o 10 divide a escala entre aproveitamento negativo, 0-10, e positivo, 10-20). Depois peguei no teste e fui falar com o Director pedagógico, dizendo-lhe: “Leia lá isto, por favor”. O meu velho amigo S.M. leu um pouco, levou as mãos á cabeça e perguntou-me: “ Que classificação vai você dar a isto? Um zero de certeza!!!” “Não! (respondi) Vou dar um treze”. O quê!!! Mas isso não pode ser!!!. “S.M...(disse eu)... ou o aluno vigarizou a escola apresentando um certificado de habilitações do secundário falso, ou a escola se enganou na sua admissão, ou então o ensino pré universitário ( 4 anos primários +8 secundários) não sabe o que anda a fazer e aprova analfabetos......”.

“Portanto, ( continuei eu), a menos que o aluno tenha vigarizado na sua entrada nesta escola superior, assunto que me é alheio, eu tenho de avaliar os conhecimentos dele face ao que lhe ensinei e apenas a isso. E foi isso que fiz. A não ser que você se oponha, a classificação que vai aparecer na pauta é 13 V.” E continuei a minha argumentação dizendo que, se o aluno não tivesse feito qualquer desonestidade na inscrição, então não seria culpado da situação mas sim vitima.... Ganhei o pleito.

    O aluno acabou por desistir do curso e, entretanto, soubemos que ele tinha nascido no Canada, onde tinha frequentado as escolas necessárias para darem acesso ao ensino superior. Os pais regressaram a Portugal, ele veio também, apresentou as suas habilitações no Ministério da Educação, que de imediato lhe passou a equivalência ao 12º ano, sem se preocupar se ele sabia escrever português.....KKKKK! ESCREVI DIREITO POR LINHAS TORTAS......

 

publicado por mochovelho às 20:51
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2 comentários:
De sunshine a 16 de Novembro de 2007 às 11:29
Concordo. Um dos meus filhos, quando frequentava o 3º ano do ensino básico, foi penalizado nos testes de matemática e estudo do meio. Por acaso, não acho correcto, o português avalia-se na disciplina de português. E sim, acho importante saber falar e escrever correctamente, no entanto, não nos devemos esquecer de ver o todo e não apenas o aluno. Penalizar um aluno do 3º ano, acho ridículo. Um aluno do ensino superior, claro que terá outra responsabilidade, no entanto, há que olhar para ele no seu global. Penso que foi o que fez e foi muito correcto!
De mochovelho a 22 de Novembro de 2007 às 19:16
Obrigado pelo comentário, Sunshine. Na realidade há que analizar as circunstâncias, e não julgar as coisas á pressa. Infelizmente a vida actual é de tal modo alienante que muitas vezes não temos tempo para isso. Eas coisas , por aqui, vão de mal a pior......

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