Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Equador

 EQUADOR

 

  Acabei agora de ler este excelente livro de Miguel Sousa Tavares. Li-o tardiamente em relação á data da sua primeira edição, mas ainda a tempo.

  Há que ter coragem e reconhecer a vergonha que constituem os princípios base da nossa colonização em África, assentes essencialmente na exploração de recursos e de MÃO DE OBRA, ou seja, na exploração do SER HUMANO, impondo-lhe as mais degradantes condições.

  É difícil encontrar um único exemplo de esforço coerente, continuado, tendo como objectivo a CIVILIZAÇÃO dos povos colonizados. Se algum houve, foi de certeza pelo trabalho de ordens missionárias, á margem da Igreja Secular, pois que esta se limitava a ser cúmplice do sistema.....

  Os roceiros de S.Tomé, pelo que li, apresentavam pelo menos um argumento com certa verdade: “A vida de muitos daqueles negros seria tão má ou pior em Angola como o era em S.Tomé...( não eram estas as palavras, mas era esta a conclusão)

   Digo isto, não baseado nos dois anos que estive em Angola como oficial do exército, pois para nós, oficiais, os limites estavam nas protecções de arame farpado que nos continham e nos terrenos que pisávamos nas nossa missões, e o povo, lá fora, com a excepção de alguns guerrilheiros que tentavam matar-nos, era puro folclore. Digo isto sim, baseado nas histórias que ouvi na minha juventude, contadas por colonizadores regressados á metrópole, homens que na sua juventude tinham partido para Angola, feito a sua fortuna essencialmente com o café, arranjado um rancho de mulatos, e depois regressado á sua aldeia de origem nas Beiras, onde construíram os seus castelos. Conheci vários, que não se envergonhavam de contar o que haviam feito, quiçá porque não o reconheciam como mal, tão primitivos eram. As histórias que ouvi não me deixaram dúvidas que também aí se podia falar de uma escravatura: o roceiro, quando precisava de pessoal contactava o “administrador” do posto mais próximo e este encarregava-se de arrebanhar nas sanzalas o número pedido de trabalhadores, acusá-los de um “crime” qualquer e conduzi-los sob “prisão” até á roça requisitante...... Bom negócio para o roceiro, bom negócio para o administrador. Começa assim o que eu poderia escrever sobre as histórias que ouvi, desses bravos colonizadores, contadas por eles próprios.

 

publicado por mochovelho às 22:02
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