Terça-feira, 17 de Junho de 2008

MULHER MODERNA

      Disse que ia escrever qualquer coisa sobre a mulher moderna, sobre a mulher livre e emancipada..... Ocorrem-me me uma série de coisas sobre este assunto mas, a que mais se evidencia é o velho provérbio: “ Pela boca morre o peixe”.

Vou fazer isto aos poucos, uma golada de gasolina sobre fogo bem ateado de cada vez, a ver se não me queimo muito. Por isso hoje temos apenas

                          MULHER MODERNA I

     A minha admiração pelo papel, mesmo silencioso ou silenciado que a mulher teve ao longo da história é enorme, desde a camponesa á rainha, e a maneira como foi tratada indigna-me. Hoje, felizmente, as coisas não estando ainda boas já não estão tão más........mas há conflitos latentes na vivência social por ambas as metades da mesma coisa pois ainda não se adaptaram a uma nova ordem, a novos valores.

    João X, muito mais novo que eu, é um individuo fadado para o êxito. Licenciou-se, formou a sua própria empresa. Casou com Maria Y, também licenciada, desembaraçada, bonita e inteligente, trabalhando numa grande agência de marketing.

    Encontrei recentemente João num café. Pareceu-me abatido e perguntei como iam as coisas. Soube com prazer, que já tinha dois filhotes pequenos... Perguntei então como estava a Maria e ele respondeu: Bastante bem, mas eu ando muito cansado!...????... É que tenho que trabalhar muito para comprar o emprego da Maria! Mas ela agora trabalha na sua empresa, é?.... disse eu sem perceber. Não! Trabalha na agência onde sempre trabalhou! Então porque diz isso? Olhe Sequeira, temos dois filhos pequeninos, ambos num infantário privado...só isso leva metade do ordenado liquido que a Maria aufere. Claro que temos que ter empregada, que vai todos os dias da semana lá a casa,.... e ganham a 9 € á hora.....A Maria vai de carro para o emprego... o carro está pago mas a gasolina não, não é verdade...e é longe? E depois o telemóvel, as roupas, ( ela é obrigada a apresentar-se bem vestida e cuidada, por razões profissionais), isto e aquilo.... O ordenado da Maria não chega para cobrir metade das despesas que resultam do facto de estar empregada. Claro que tenho de trabalhar o dobro, porque como eu disse além das despesas normais da casa e minhas tenho DE COMPRAR O EMPREGO DA MINHA MULHER!   

   Estive para dizer ao João que o trabalho tem outras funções e compensações além de ganhar dinheiro e que a mulher dele tinha tanto direito de se realizar profissionalmente como ele..... e ainda mais....., que já se verificavam situações no estrangeiro, em que a mulher trabalhava fora e o marido ficava em casa a cuidar dos filhos. Mas o João estava tão abatido que resolvi poupá-lo a este discurso “politicamente correcto”.

 

   ( Perante o que reservo para a MULHER MODERNA II e III este I não correu mal de todo....... )

 

publicado por mochovelho às 17:08
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10 comentários:
De sunshine a 17 de Junho de 2008 às 23:08
Estranho o discurso. Porque, num casal, e a meu ver, não deve haver o teu e o meu, mas sim o nosso. As nossas acções são em beneficio da família e não de cada um isoladamente. Se a Maria não trabalhasse, o João talvez não pudesse ter os dois filhos no privado. Porque a Maria precisaria na mesma de carro e certamente gostaria de se vestir bem, porque se sente bem assim, e não por casusa do emprego. Parece que o João está a fazer um favor à Maria, satisfazendo um capricho seu, como se ela não contribuísse para o orçamento familiar!
Mulher moderna, homem ultrapassado na mentalidade.
Se não podem não vivam acima das possibilidades, usem transportes públicos, usem colégios publicos, e talve dispusessem de mais tempo para a familia, e com menos cansaço.
De mochovelho a 18 de Junho de 2008 às 12:09
Eu sabia que "ia levar na cabeça" querida amiga! Mas repare que numa patética tentativa de salvamento eu soletro um discurso para o João que é políticamente correcto, mas qie não chega a ser proferido...... Quer queiramos quer não, conheço vários famílias em que o homem diz mais ou menos isto á boca pequena, mas não me atrevo a dizer que eles têm razão, atente-se..... Como diz e muito bem, pode ser uma questão de organização, de manutenção de status " para inglês ver" que leva a essas situações. De notar também que quem diz isso são geralmente homens com chorudos rendimentos...... Também conheço algumas outras famílias em que os homens não se "queixam" deste modo, mas em que os filhos pagam uma pesada factura devido ao comportamente ausente e direccionado dos pais para o trabalho e o status. ( Eu fui um desse pais, e ainda hoje sofro as consequências....sei do que falo...). Mas finalmente, o que eu queria pôr em evidência e até o digo de modo explicito , é que com a evolução positiva da situação e aspirações da mulher surgem novos desafios, e temos que fazer um esforço de adaptação.Digo isto acima e repito aqui. REPITO: "A minha admiração pelo papel, mesmo silencioso ou silenciado que a mulher teve ao longo da história é enorme, desde a camponesa á rainha, e a maneira como foi tratada indigna-me. Hoje, felizmente, as coisas não estando ainda boas já não estão tão más........mas há conflitos latentes na vivência social por ambas as metades da mesma coisa pois ainda não se adaptaram a uma nova ordem, a novos valores" . ESTE É O PONTO ESSENCIAL, ...NÃO É SÓ A MULHER QUE MUDA, O HOMEM E A SOCIEDADE EM GERAL TEM QUE MUDAR TAMBÉM". Este é que é o cerne da questão( que não enfatizei suficientemente), e depois dou um exemplo negativo mas real!
Ainda não foi nesta parte que deixei vir á tona o meu machismo, chauvinismo e outras coisa em ismo...."KKKK! Um grande abraço
De sunshine a 18 de Junho de 2008 às 13:56
Não me referi a esse ponto essencial, mas está lá nas entrelinhas.
De mochovelho a 20 de Junho de 2008 às 13:59
Querida amiga...ao reler o sua resposta original notei que Sunshine é capaz de estar a fazer o que eu chamo deduzir por semelhança, o que é muito normal. Comigo e com os que me são próximos acontece a mesma coisa. A questão está em que cometemos o erro de pensar que: Se eu penso assim sobre este assunto, então X também pensa, se eu actuo assim nesta situação , então Y reage de modo parecido. MAS ISTO É UM GRANDE ERRO que cometemos, POIS , MESMO NO ESSENCIAL, somos profundamente diferentes.....APENAS PARECEMOS SEMELHANTES porque estamos regidos pelos mesmos códigos de comportament e éticos perante o nosso próximo e a sociedade em geral. Todavia, quando as aparências não não estão em causa, as pessoas revelam-se. Dai que quer queira ou não, muitas mulheres modernas vivam a situação que descrevi sem se importarem com isso... não cometa o erro de pensar que são todas como a Sunshine provávelmente é....... Olhe bem á sua volta, descubra as pessoas...não se deixe cegar por amizades, por exemplo, ( a amizade é das coisas mais preconceituosas que existem), e verá que o mundo não é todo certinho e correcto..... E QUE NÒS NÃO SOMOS TODOS IGUAIS. Disse e mantenho que gosto muito da mulher, mas não a santifiquei...entenda-se. Um abraço.
De NEOABJECCIONISMO a 18 de Junho de 2008 às 00:44
Mocho Velho, amigo. É verdade que muitas mulheres trabalham para pagar o colégio dos filhos e a empregada que faz o serviço da casa.
Mas enquanto trabalha liberta-se, enquanto mulher, da situação servil que tinha anteriormente, além de proporcionar emprego a outra mulher. Direi mesmo que o mercado do trabalho em geral beneficiou com a entrada activa da mulher. Há grandes lideres à frente das empresas, antes condenadas à loiça e ao remendo da roupa.
O amigo emprega a figura do João X e da Maria Y , como uma metáfora, de facto, pouco dignificante do homem. E acredito que os há. Mas a realidade não é tão taxativa . Quando não têm emprego os dois é que a coisa vai mal.
O amigo defende que a mulher deveria ficar em casa, cuidando dos filhos e fazendo as tarefas domesticas?
Gostei do post.
Um abraço
De mochovelho a 18 de Junho de 2008 às 12:28
Caro Abjeccionista, para resposta peço-lhe que leia o que escrevi para Sunshine e o junte ás linhas que se seguem
O meu discurso para o João X está a meu ver correcto. Eu aí falo claramente na realização profissional da mulher, defendendo o seu direito mas, quando digo que o discurso, a ser feito, seria politicamente correcto, estou a ser cínico com a questão, porque sei de antemão que os fazedores do politicamente correcto são aquels que menos o seguem......TODAVIA, NÃO ESTOU A SER CÍNICO QUANDO FALO DA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL DA MULHER..... tenho uma filha que é economista, ( tem alicenciatura em economia), e vejo quanto a realização profissional é importante para ela. Por outro lado ESTOU PLENAMENTE DE ACORDO consigo quando diz que a mulher veio aportar uma mais valia global ao mercado de trabalho, (só é pena que muitos empresários se tenham aproveitado disso para baixar os níveis dos salários, mas isso é mais uma vitimização da mulher que , por tabela atinge também o homem. ) , enfim, mas pelo menos trouxe inegáveis benefícios á economia em geral Um abraço!
De NEOABJECCIONISMO a 18 de Junho de 2008 às 14:15
Mocho Velho. Claro que não está a ser cínico, amigo. Os comentários servem para o aclarar de frases e conceitos que o texto pode não transmitir na totalidade.
Não entendi do texto que quisesse denegrir a imagem da mulher moderna, antes pelo contrário. Seque do homem, mas sim de uma parte ainda significativa das nossas sociedades. E os empresários, nem se fala. Só o medo que eles têm que as mulheres empregadas deles engravidem! Até parece que não foram concebidos de uma mulher..
A alguns apetecia perguntar: Será que foi parido por uma vaca?
Um abraço de amigo
De mochovelho a 20 de Junho de 2008 às 14:21
KKKK Gostei dessa do empresário parido por uma vaca..... contei essa á minha filha para ela contar ao patrão. Mas de facto , conheci alguns que pareciam ter sido paridos por uma vaca, pelo menos a nível de racicinio, e bom senso.....Um abraço!
De Bárbara a 18 de Junho de 2008 às 15:16
Na verdade, eu não sei se a Maria tem escolha. Digo isso por algumas situações que vejo ocorrer ao meu redor. Explico: algumas colegas resolveram que não iriam mais trabalhar após terem seus filhos, disseram que preferiam cuidar deles enquanto fossem pequenos, acompanhar sua infância, dar um tempo da loucura em que viveram uma boa parte da vida. Eis que as outras colegas que estavam presentes na reunião, desataram a massacrar a opção daquelas primeiras. Disseram que achavam um absurdo que elas ficassem em casa "sem fazer nada"(!), que mulheres deveriam trabalhar e mais um monte de frases que deixaram as outras em uma situação extremamente desconfortável. Como uma boa defensora do livre arbítrio, eu comecei a defender a liberdade de escolha e o dever que temos em respeitar isso, afinal, é preciso muita coragem para tomar a decisão de deixar os filhos serem criados por outros para fazê-lo elas mesmas. Enfim, defendi a liberdade. Afinal, não é porque podemos, que devemos.

Aredito que vivemos numa ditatura feminista. A mulher que não trabalha se sente envergonhada por isso, sendo suas próprias amigas as encarregadas de envergonhá-las. O que é um absurdo, pois não há razão para esse sentimento quando estamos exercendo nossa capacidade de escolha.

Hoje, as mulheres continuam sendo subjugadas, entretanto, não somente por homens, mas por outras mulheres também. Mulheres, estas, que estão tão perdidas em sua loucura de querer fugir de si mesmas, tão assustadas com o universo feminino (motivadas por campanhas insistentes dos homens que fizeram com que elas achassem que o universo masculino é melhor e pelas feministas que fizeram o mesmo, de uma forma diferente), tão afastadas de seus centros, que já não conseguem enxergar toda a bela paisagem que existe além dos dois metros quadrados de suas mesas nas empresas.
De mochovelho a 20 de Junho de 2008 às 14:12
Olá Barbara ...GOSTEI! Particularmente da última parte em que por outras palavras você refere que em muitos aspectos, a emancipação feminina foi "um bon negócio" para os homens, por eles mesmos comandado. Claro que a mulher pode emancipar-se, ter o seu papel na sociedade, realizar-se plenamente , sem ser pelos caminhos que o homem prévia e sabidamente lhe preparou. Está bem visto e é verdade. Um abração jovem velha amiga....KKK!

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