Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

SUICÍDIO II

      No post anterior ilustrei várias das muitas situações que podemos encontrar e que podem levar, ( e levam), uma pessoa ao suicídio. Neste post, agora, vou pôr a minha opinião : o que penso sobre o assunto....Honestamente sei que o suicídio, da parte de quem o comete e de quem com as suas consequências se confronta, não é só uma questão de pensamento racionalizado. O sentir estará fatalmente presente na maioria dos casos infelizmente.Todavia não o devo levar em conta , porque entramos numa subjectividade que inviabiliza qualquer opinião e discussão.

     O suicídio foi sempre mal visto pela sociedade quer civil, quer religiosa, o que é perfeitamente explicável porque ambas as sociedades quiseram desde sempre, ser proprietárias da pessoa, do ser humano, em todos os seus aspectos. O suicida foge á sua influência, ao seu castigo, ao seu poder....toma uma liberdade que as sociedades não permitem. Foge-lhes. Por isso denigrem o acto tanto quanto podem, não pelas suas consequências mas pelo que significa em termos de escapar aos poderes constituídos.

      Se um homem que está na prisão, na ala dos condenados á morte,á espera da hora da sua execução, consegui-se cometer suicídio, todos sabemos a frustração que tal representaria para as autoridades responsáveis, apesar do resultado final ser o mesmo.

      Fala-se tanto dos direitos humanos e questiona-se o direito de uma pessoa dispor da sua própria vida?  Consideremos , por exemplo uma pessoa que se debate com uma doença terminal que lhe causa intenso sofrimento, causando também desconforto e sofrimento moral aos seus, aos que o rodeiam e suponhamos que essa situação é irreversível. Como se pode condenar essa pessoa se ela optar por termo á vida? Ou será que ela tem de sofrer um sofrimento inútil para oferecer em sacrifício aos deuses?????

       Para mim, pelo que vi, pelo que li  e discuti até agora , só há uma circunstância em que o suicídio pode ser condenável.... quando a vida do suicida ainda é necessária para bem  estar de outros. Isso pode bem acontecer......mas estou a pensar apenas em aspectos materiais e desconsidero completamente os sentimentais.

 

publicado por mochovelho às 17:11
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3 comentários:
De NEOABJECCIONISMO a 3 de Julho de 2008 às 09:25
mochovelho.
O seu texto, magistral, aborda de uma forma clara e contundente, questões relevantes da insondável alma humana e da racionalidade de quem a pretende dirigir como sua pertença.
Permito-me acrescentar que há quem o faça, suicídio, programando todos os cenários. Deixando os bens materiais assegurados, estou a lembrar-me dum caso recente do empresário que foi encontrado com o corpo coberto por cem mil euros de notas, ou matando toda a família, mulher e filhos, para que ninguém sofra, segundo a sua perspectiva, quer de si quer de per si, por represálias que a sociedade possa imprimir sobre os que ficaram. Isto quando há uma forte ligação afectiva.
Para mim, não há condenação possível do suicida, mas daqueles que não perceberam que não percebem, quando ele pede ajuda e já está no limite de si próprio. Mas sim, dos que sabendo que existe em cada um nós, um gene indutor de tal decisão, quando todas as circunstância interiores e exteriores se complementarem para que o façamos, não previnem a solução rápida e precisa dos contornos envolventes.
Felicito-o pelas suas reflexões que podiam levar-nos ainda mais além, aos que confortavelmente instalados na condenação de tal acto individual, em Abstracto, contribuem para o suicídio colectivo da sociedade humana, lento, moucos a todos os avisos.
Um abraço
De mochovelho a 21 de Julho de 2008 às 01:55
Tem razão.... muitas vezes o suicida pede socorro antes de por fim ao seu sofrimento ou dilema e acontece que , ou não tem ouvintes , ou os que o ouvem não sabem descodificar os seus sinais. (Claro que não estou a referir-ma aos casos psiquiátricamente bem definidos...). Mas acontece também que há suicidios surpresa, totalmente inesperados, em que o suicida não dá quaisquer sinais á sua envolvente humana, ou se os dá, são tão dificilmente inteligiveis que não tornam esta culpada. Quando começamos a pensar e chamamos as nossas memórias do que sabemos ou conhecemos directa ou indirectamente verificamos a multiplicidade de situações que podem existir, a multiplicidade de situações que podem provocar o suicidio quer como fuga, quer como NECESSIDADE....e já agora, pensar é uma delas......KKKKK! Quer o pensar quer o sentir são actividades perigosas......Um abraço!
De NEOABJECCIONISMO a 21 de Julho de 2008 às 10:55
Se são amigo!...
Quem pensa o que sente e sente o que pensa, pode estar no limiar, no ponto limite do equilibrio.
Um abraço

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